ACTU : Próximo referendo sobre a IVG em Portugal
Par Multipol le jeudi 1 février 2007, 09:56 - Politique étrangère / Interculturel - Lien permanent
Catherine MAIA
Partidários e adversários da despenalização da interrupção voluntária da gravidez lançaram-se oficialmente em campanha terça-feira 30 de Janeiro para tentar ganhar os sufrágios dos Portugueses consultados por referendo sobre este assunto dia 11 de Fevereiro, cujo resultado permanece muito incerto.
Nos próximos dias vai ser o tudo por tudo dos movimentos, pelo sim e pelo não, para convencer os Portugueses a votar para que não aconteça o mesmo que em 1998 em que a participação dos eleitores nem sequer chegou aos 50%. Na comunicação que fez ao país para anunciar a realização do referendo, o Presidente da República, Cavaco Silva, lancou o apelo para que a campanha seja uma oportunidade para que se realize um debate sério, informativo e esclarecedor para todos aqueles que irão ser chamados a decidir numa matéria tão sensível como esta.
O Partido socialista ao poder, o Partido comunista e o Bloco da esquerda chamaram a votar "sim" à despenalização. O Partido social-democrata, de centro direita, deixou a liberdade de voto aos seus membros. Só o pequeno partido de direita Centro democrático e social pronuncio-se contra. Mas o assunto do aborto, largamente tabu numa sociedade fortemente influenciada pela Igreja católica, excede as segmentações dos partidos e a luta contra a abstenção vai constituir o principal desafio da campanha, enquanto que o debate, muito presente na imprensa, nunca ganho realmente a rua. Durante os últimos meses, as sondagens mostraram um retrocesso dos partidários do "sim".
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Com 59% das vozes, o "sim" ganhou ontem o referendo sobre a despenalização do aborto até às 10 semanas. O líder do PS e primeiro-ministro, José Sócrates, prometeu que a nova lei começará a ser "imediatamente trabalhada" no Parlamento.
Os movimentos do "sim", que se reuniram num hotel de Lisboa, festejaram a vitória e afirmaram que significa que, a partir de agora, haverá respeito pelas opções de vida e dignidade das mulheres portuguesas.
João Paulo Malta, pela Plataforma Não Obrigada, lembrou não obstante que o resultado "não é vinculativo", dada a abstenção superior a 50%, e considerou que o facto que a maioria não se pronunciou de forma clara demonstra que o assunto ainda divide profundamente a sociedade portuguesa.